31 de agosto de 2018
Banco amplia financiamento ao setor

Por Lívia Ferrari

Na contramão da crise econômica, bancos ampliam carteira de financiamentos à energia. O BNDES deverá desembolsar
este ano R$ 15 bilhões em projetos do setor elétrico, segundo estimativas da superintendente da área de energia, Carla
Primavera. O valor supera as expectativas iniciais da instituição e os R$ 13 bilhões liberados em 2017.
“Temos uma carteira madura, com aprovações muito expressivas este ano”, diz ela, citando projetos de linhas de
transmissão, parques eólicos, complexos solares. Isso se junta a uma carteira maior, que soma R$ 190 bilhões em
financiamentos aprovados a 613 projetos, entre 2003 e 2018, com investimentos de R$ 332 bilhões em geração,
transmissão e distribuição de energia, além de soluções tecnológicas em eficiência energética e redes inteligentes.

Carla espera enquadrar ainda em 2018 um primeiro projeto em nova modalidade de financiamento, lançada no primeiro
semestre do ano, que contempla a previsão de receitas provenientes da comercialização de energia no mercado livre. A
participação do banco em projetos de energia é de até 80% do investimento, limitado aos itens financiáveis. Na geração e
transmissão, o prazo vai até 24 anos; em distribuição, até 20, alinhado, porém, ao prazo da concessão. Projetos de energia
solar, eficiência energética, geração distribuída e redes inteligentes têm condições mais atrativas, com spread básico de
0,9% ao ano. Na carteira de eficiência energética, são R$ 760 milhões em projetos aprovados, com desembolsos de R$ 585
milhões.
Instrumentos do mercado de capitais também ganham fôlego. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos
Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as emissões de debêntures de infraestrutura atingiram R$ 9,52 bilhões, no
primeiro semestre do ano, sendo R$ 7,35 bilhões só no segmento elétrico. Jogam a favor, ainda, os fundos de
infraestrutura. Com orçamento inicial de R$ 5 bilhões, o BNDES poderá ser cotista de fundos fechados que invistam em
debêntures ou em recebíveis relacionados a projetos de infraestrutura, entre eles energia. Outro mecanismo são captações
de green bonds. O banco estatal emitiu US$ 1 bilhão em títulos verdes no mercado internacional.

O Santander também tem experiência nesse mercado. Desde 2015 fez cinco operações de green bonds, no valor de US$ 1
bilhão e de € 500 milhões, em energia renovável e gestão de resíduos, além de R$ 22 bilhões em parques eólicos.
No Sicredi há linha para aquisição de tecnologias de energia solar com demanda e contratações crescentes. O saldo atual é
de R$ 117 milhões, e 1,2 mil operações. Desde 2015 foram R$ 458 milhões para projetos ecoeficentes.

 

Fonte: Valor.