29 de janeiro de 2018
BNDES anuncia mudanças em políticas de financiamento

Classificação do porte de pequenas empresas subiu para até R$ 4,8 milhões. Micro, pequenas e médias poderão financiar até 100% do valor de máquinas e equipamentos.

 

Por Marco Antônio Martins, Rio

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta quinta-feira (11), uma série de mudanças em políticas de financiamento da instituição.

 

Uma das alterações foi a classificação do porte das empresas. O limite máximo de faturamento das pequenas empresas (MPMEs) subiu de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões.

 

Além disso, a ideia agora é que o BNDES possa financiar até 100% do valor de máquinas e equipamentos adquiridos por micro, pequenas e médias empresas.

 

“Se a gente não faz isso as empresas não se recuperam”, disse o diretor do banco, Carlos da Costa.

 

“Para empresas grandes o salto pode até não ser tão grande. Agora para empresas menores será diferente. A gente tem certeza que essa mudança terá um impacto para a micro e pequena empresa brasileira”, comentou.

 

O banco afirma que mantém como prioridade em 2018 o investimento em projetos nas áreas de infraestrutura, saneamento, ferrovias e mobilidade urbana.

 

Além disso, a instituição também pretende identificar potenciais clientes que possam tomar crédito para projetos em áreas que estejam colhendo bons resultados.

 

“Nós financiamos projetos e não empresas. É uma ótica de desenvolvimento e não de distribuição de renda”, afirmou Costa.

 

Capital de giro

 

O banco também anunciou que prorrogou a vigência do BNDES Giro, que supre a necessidade de capital de giro das empresas, para até 31 de dezembro de 2018.

 

O orçamento é de R$ 32 bilhões, sendo R$ 27 bilhões para operações indiretas e R$ 5 bilhões para operações diretas. Esse apoio é muito relevante porque os tomadores do BNDES Giro são principalmente MPMEs.

 

Fim de limite a dividendos

 

Além disso, o BNDES decidiu encerrar o limite de 25% de distribuição de lucro de empresas como dividendos a acionistas como critério para concessão de financiamentos, afirmou Costa.

 

Pela regra anterior, para tomar um empréstimo no banco, a empresa ficava impedida de distribuir mais do que 25% de seus lucros em dividendos e o valor do empréstimo não podia representar mais do que 5% do ativo total da empresa.

 

TLP

 

O apoio do BNDES a projetos de investimento terá dois níveis de participação máxima com a Taxa de Longo Prazo (TLP), nova taxa de juros do banco, que acompanha oscilações de mercado.

 

Para projetos prioritários do banco, o financiamento pode chegar a 80% com custo em TLP. Já nas linhas padrão, os projetos terão participação máxima de até 60%.

 

No caso de financiamentos à aquisição de bens e serviços importados, sem similar nacional, que tenham a TLP como referência, será vedado o uso de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), informou o banco.

 

A TLP passou a corrigir os empréstimos do banco ao setor produtivoa partir de janeiro deste ano.

 

A expectativa da equipe econômica é que, com o passar do tempo, a TLP represente juros mais próximos aos praticados no mercado financeiro, o que representará o pagamento de menos subsídios por parte do governo federal.