1 de outubro de 2018
Eletrobras arrecada R$ 1,29 bilhão com leilão, 58% abaixo do previsto

Por Rodrigo Rocha, Camila Maia e Rodrigo Polito

O leilão de venda de participações minoritárias da Eletrobras em eólicas e linhas de transmissão da estatal, realizado nesta quinta-feira (27), não recebeu propostas para sete dos 18 lotes das sociedades de propósitos (SPEs). Com isso, os lotes A, B, D, E, G, Q e R ficaram de fora do leilão.

Sem esses lotes, a receita arrecadada pela Eletrobras recuou de R$ 3,1 bilhões (patamar máximo a ser atingido) para um total de R$ 1,296 bilhão – queda de 58%, com a venda de 11 SPEs. Foram licitados três lotes compostos de ativos de geração eólica e oito de transmissão.

O lote A, por exemplo, se referia à totalidade do projeto Santa Vitória do Palmar, de geração eólica, incluindo a participação de 78% da Eletrobras e os 22% detidos pela Brave Winds Geradora. O lance mínimo para este lote era de R$ R$ 814,873 milhões. Já o lote B estava relacionado a uma participação de 99,99% no projeto Eólica Hermenegildo, com preço mínimo de R$ 118,966 milhões.

Todos os projetos leiloados são operacionais e com contratos de longo prazo, com geração de caixa garantida ao longo das concessões.

Enel
A gigante energética italiana Enel decidiu não participar do leilão de hoje.

Ao Valor, o presidente da companhia no Brasil, Carlo Zorzoli, afirmou que a empresa está concentrada neste momento na aquisição do controle da distribuidora paulista Eletropaulo, em junho deste ano e pela qual desembolsou R$ 5,5 bilhões.

A Enel planeja investir US$ 900 milhões na Eletropaulo nos próximos três anos.

Lote C
A Serra das Vacas Participações fez a maior oferta econômica pelo Lote C licitado hoje pela Eletrobras, ao oferecer R$ 66,7 milhões, sem ágio em relação ao preço máximo. O lote em questão inclui o complexo eólico Serra das Vacas, de 91 megawatts (MW) de potência, localizado no Rio Grande do Sul (RS). A Eletrobras colocou à venda sua participação de 49% no ativo.

A Eletrobras não informou, neste momento, a composição societária da Serra das Vacas Participações, mas a sócia da estatal no projeto, que tinha o mesmo nome, era a PEC Energia, sócia com os demais 51% do ativo.

Lote F
A J Malucelli Energia fez a maior oferta econômica pelo Lote F, ao oferecer R$ 171,3 milhões, sem ágio em relação ao preço máximo.

Essa foi a única oferta pelo lote. O lote em questão inclui os complexos eólicos Brasventos Miassaba 3, Brasventos Eolo, e Rei dos Ventos 3, que somam 187 (MW) de potência.

A Eletrobras colocou à venda sua participação de 49% no ativo. A J. Malucelli já era sócia com os outros 51%.

Lote H
A Brennand fez a maior oferta econômica pelo Lote H, ao oferecer R$ 232,6 milhões, sem ágio. O lote inclui os complexos eólicos Santo Sé I, II e III, de 248 megawatts (MW) de potência.

A Eletrobras colocou à venda sua participação de 49% no ativo. A Brennand já era sócia com os demais 51%.

Lote I
A Equatorial Energia foi a única a fazer oferta econômica pelo Lote I, ao oferecer R$ 277,48 milhões, sem ágio em relação ao preço mínimo.

O lote envolve a Integração Transmissora de Energia (Intesa), de 695 quilômetros de extensão. A Eletrobras colocou à venda sua participação de 49% no ativo. A Equatorial já era sócia na Intesa com os outros 51%.

Lote J
A empresa Copel Geração e Transmissão fez a maior oferta pelo Lote J, ao oferecer R$ 105 milhões, ágio de 20,35% em relação ao preço mínimo de R$ 87,242 milhões.

O lote envolve a Uirapuru Transmissora de Energia, de 122 quilômetros de extensão. A Eletrobras colocou à venda sua participação de 75% no ativo. Também fizeram propostas o consórcio Olympus VI, com R$ 88,99 milhões (ágio de 2%) e a CTEEP, com R$ 94,6 milhões (ágio de 8,43%).

A sócia da Eletrobras no ativo é a Fundação Eletrosul de Previdência e Assistência Social, com os 25% restantes.

Lote K
A Alupar fez a maior oferta econômica pelo Lote K, ao oferecer R$ 109,5 milhões, sem ágio ante o preço mínimo.

O lote em questão envolve a Transmissora Matogrossense de Energia (TME), de 348 quilômetros de extensão. A Eletrobras colocou à venda sua participação de 49% no ativo. A Alupar já era sócia do ativo, com 46% de participação. A Mavi tem os demais 5%.

Lote L
A Taesa fez a única oferta econômica pelo Lote L, ao oferecer R$ 77,995 milhões, sem ágio em relação ao preço mínimo de R$ 77,995 milhões.

O lote em questão envolve a Brasnorte Transmissora de Energia, de 402 quilômetros de extensão.

A Eletrobras colocou à venda sua participação de 49,7% no ativo. São sócios no ativo a Bimetal Energia, com 11,6%, e a própria Taesa, com 38,7%.

Lote M
A Alupar venceu, por sorteio, a licitação do Lote M. A companhia ofereceu R$ 78,37 milhões, sem ágio ante o preço mínimo.

Alupar e Taesa, que são sócias da Eletrobras no empreendimento, fizeram ofertas idênticas, sem ágio. Com isso, foram para a disputa no viva-voz, na qual não apresentaram novas ofertas.

Foi aberto, então, um prazo para que as duas proponentes fizessem novas ofertas em escrito pelo lote, mas as duas apenas repetiram as propostas originais, sem ágio. A disputa foi definida por meio de um sorteio, na qual a Alupar saiu vencedora.

O lote em questão envolve as empresas Transirapé, Transleste e Transudeste.

A Eletrobras colocou à venda as participações de, respectivamente, 24,5%, 24% e 25%. A Eletrobras tinha como sócias no projeto as empresas Taesa, com 24,5%, EATE (Alupar), com 10%, e Transminas (também Alupar), com 41%.

Lote N
A Taesa fez a única oferta econômica pelo Lote N, ao oferecer R$ 39,888 milhões, sem ágio em relação ao preço mínimo de R$ 39,888 milhões.

O lote envolve a Empresa de Transmissão do Alto Uruguai. A Eletrobras colocou à venda sua fatia de 27,4%. São sócios no ativo a Taesa, com 52,6%, DMEE, com 10%, e EATE, com 10%.

Lote O
O consórcio Olympus VI fez a maior oferta econômica pelo Lote O, ao oferecer R$ 94,9 milhões, ágio de 10% em relação ao preço mínimo de R$ 86,248 milhões.

O Olympus VI, cuja composição não foi divulgada ainda, venceu a Cteep, que tinha oferecido ágio de 5,17%, com uma proposta de R$ 90,7 milhões. A disputa foi para o viva-voz, mas a Cteep não entregou nova proposta, fazendo com que o Olympus VI fosse declarado vencedor.

Em leilões de transmissão anteriores, consórcios com nome Olympus eram liderados pela Alupar com a presença de investidores financeiros.

O lote envolve a Amazônia-Eletronorte Transmissora de Energia. A Eletrobras colocou à venda sua fatia de 49%. São sócios no ativo a Alubar, com 10,76%, a Bimetal Energia, com 26,99%, e a Linear Participações, com 13,25%.

Lote P
A Taesa fez a única oferta econômica pelo Lote P, ao oferecer R$ 43,169 milhões, sem ágio em relação ao preço mínimo de R$ 43,169 milhões. O lote envolve a Companhia de Transmissão Centroeste.

A Eletrobras colocou à venda sua fatia de 49%. A Cemig, que está no bloco de controle da Taesa, é sócia no projeto com 51%.

Fonte: Valor.