May 6th, 2019
Transmissão tem rodada de venda de ativos

O mercado secundário de ativos de transmissão de energia está movimentado, diante da falta de leilões envolvendo novos projetos. São ao menos três transações de venda total ou parcial em curso, apurou o Valor, envolvendo ativos da gestora Pátria, da indiana Sterlite Power e da ISA Cteep. Em outra frente, a construtora de linhões Tabocas busca um sócio investidor.

 

O Pátria contratou os bancos Itaú BBA e Bank of America Merrill Lynch para vender sua empresa de transmissão, a Argo. A Sterlite, que roubou a cena nos leilões recentes, colocou seu primeiro ativo operacional à venda, para reciclar capital e tocar os demais projetos. Os investimentos do Pátria e da Sterlite foram feitos em momentos distintos. A gestora apostou em transmissão assim que as regras ficaram mais atrativas, em abril de 2016. Conseguiu arrematar um lote atrativo, com 1.126 km, sem deságio em relação à receita anual permitida (RAP) de R$ 405 milhões. Em outubro daquele ano, ganhou um lote pequeno com deságio de 16,7% e receita de R$ 39,4 milhões.

 

Foi a agressividade de investidores como a Sterlite que tirou o Pátria das novas rodadas. Desde então, a gestora, que apostava em ganhar escala com a Argo, não teve sucesso em novos leilões.

 

 

Segundo uma fonte, como as taxas de retorno dos ativos da Argo são atrativas, a gestora espera ganhar por meio da competição de potenciais compradores. O Pátria continua interessado no setor e já está olhando aquisição de ativos de geração de energia eólica, apurou o Valor.

 

Para um potencial comprador, a Argo é “interessante”, mas ainda é necessário avaliar o ativo para decidir se vale a pena investir na oportunidade. Potenciais interessados com condições de fazer uma oferta seriam a canadense Brookfield, a brasileira Taesa e a chinesa State Grid. “A avaliação da empresa está em torno de R$ 6 bilhões, sendo metade ‘equity’ e metade dívida. Não é um cheque para muitos compradores”, diz um executivo.

 

O ativo colocado à venda pela Sterlite é de menor porte, o que pode ajudar a atrair mais interessados. Segundo fontes, a companhia mandatou o Banco ABC Brasil para venda do projeto Arcoverde, arrematado em abril de 2017 com deságio de 25,87% ante a receita máxima, garantindo o faturamento anual de R$ 24,6 milhões durante a concessão. Os investimentos eram estimados em R$ 163,9 milhões.

 

Esse foi o primeiro leilão com a participação da Sterlite no Brasil.

 

Posteriormente, com deságios que chegaram a 60%, a empresa dominou certames e garantiu R$ 728,6 milhões em receita anual. Os investimentos, contudo, são vultuosos, da ordem de R$ 7,7 bilhões. Procurada, a Sterlite diz que é uma empresa de desenvolvimento de projetos. “Na Índia, temos como modelo de negócio a transferência dos nossos ativos para a IndiGrid (empresa de investimento em infraestrutura) assim que os projetos são finalizados. Para os ativos brasileiros, exploraremos alternativas consistentes com nosso modelo de negócios”, diz em nota.

 

“Fundos de pensão e outros investidores com horizonte de longo prazo têm interesse em transmissão, por ser um dos mais estáveis dentro do setor elétrico”, diz Hiram Pagano, sócio do escritório Mattos Filho Advogados. Ele ressalta que há diferença na análise de risco de projetos com obra concluída ou em andamento, que impactam o preço final de avaliação.

 

Outra empresa sondando investidores é a ISA Cteep. Segundo fontes, a transmissora avalia o interesse em seus ativos, sendo um deles o linhão que escoa a energia do complexo do rio Madeira (RO) para o Sudeste, na qual tem 51% de participação. “Ela é vendedora nesse projeto, mas ainda não mandatou bancos”, diz uma fonte.

 

O próximo leilão de transmissão de energia acontecerá apenas em dezembro, o que deve manter o mercado secundário aquecido. “Com o leilão distante, quem está com apetite para investir começa a olhar ativos para consolidação”, diz Mariana Saragoça, especialista em infraestrutura do Stocche Forbes Advogados.

 

 

De olho no leilão e no interesse no segmento, a construtora de linhões Tabocas contratou a XP Investimentos como assessor financeiro – mas ainda não definiu que percentual vai vender de seu capital. Procuradas, a ISA Cteep disse que não tem, no momento, nenhuma negociação de venda de ativos e o Pátria não comentou.

 

Fonte: Por Camila Maia, Maria Luíza Filgueiras e Rodrigo Polito | De São Paulo e do Rio

https://www.valor.com.br/empresas/6239889/transmissao-tem-rodada-de-venda-de-ativos