18 de setembro de 2017
Vinci será parceira do Mubadala na Invepar

Por Victória Mantoan, Ivo Ribeiro e Fernanda Pires | De São Paulo

 

Próximo de adquirir mais da metade do capital social da holding de infraestrutura Invepar, o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, trouxe o grupo francês Vinci para compor o novo bloco de controle. Os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef – com 75,6% da holding – contam com uma proposta vinculante que envolve aporte de cerca de R$ 1 bilhão na companhia, diluindo suas posições. Pelos termos negociados por ora, não deve haver compra direta das ações detidas pelos fundos acionistas.

 

O aporte está condicionado, porém, ao sucesso na negociação de compra também da fatia de 24,4% hoje nas mãos da OAS. Essa participação será repassada para os credores da empreiteira como pagamento de dívida. Segundo fontes, o Mubadala já iniciou negociações com esses credores. É a injeção de capital aliada à compra dessa parcela que vai garantir a obtenção de mais de 50% do capital social da Invepar pelo fundo junto com a Vinci. A expectativa é que o fechamento do negócio ocorra nas próximas semanas.

 

Embora não tenha sido fechado um acordo de exclusividade com os fundos de pensão, o Mubadala é o único interessado na compra do controle da Invepar, em situação financeira considerada bastante delicada. Dentro da negociação, está sendo acertada a garantia de alguns direitos dos sócios remanescentes por meio de um acordo de acionistas. O ativo foi alvo de interesse da canadense Brookfield no passado, mas a negociação naufragou porque não foi possível chegar a um acordo com os fundos de pensão.

 

A vinda da Vinci responde a uma avaliação feita pelo investidor de que, com quatro sócios financeiros, trazer um operador com atuação global em diferentes áreas agregaria valor ao negócio. Além disso, o grupo francês conhece o mercado brasileiro e a própria operação da Invepar, pois adquiriu em 2016 o ativo rodoviário que a empresa tinha no Peru, a LAMSAC.

 

Globalmente, o grupo francês já atua nas áreas de aeroportos, rodovias, energia e mobilidade urbana. No Brasil, arrematou o terminal aeroportuário de Salvador no leilão realizado em março pelo governo federal por meio do braço Vinci Airports.

 

Embora o valor global da operação não esteja fechado, o aporte responde à necessidade de recursos da Invepar para equalizar sua situação financeira, em R$ 1 bilhão. Para trazer alívio neste ano, a empresa já negocia uma captação de R$ 300 milhões, com R$ 100 milhões de cada um dos fundos acionistas. Segundo fontes, porém, só não há aprovação ainda da Funcef para a operação.

 

Uma alternativa à alienação do controle estudada é a venda de ativos em separado. Isso só deve ocorrer, no entanto, se a negociação na holding, solução preferida pelos atuais acionistas, não vingar. Nesse sentido, a CCR fez proposta indicativa por alguns dos negócios da Invepar, segundo fontes próximas à empresa. Mas nenhuma vinculante, visto que sequer foi feita due dilligence.

 

A Invepar chegou a bater na porta da CCR oferecendo ao grupo uma fatia na holding. Mas isso, em princípio, não interessa à CCR que, tal como a Invepar, já é um veículo de infraestrutura. Em tese, ativos que despertariam interesse da CCR ou têm sinergias naturais com os negócios do grupo são os de mobilidade urbana – como a concessionária Lamsa, que administra a Linha Amarela, uma das mais importantes vias expressas da cidade do Rio de Janeiro; o Metrô Rio; e o VLT Carioca.

 

Procurada, a CCR informou, por nota, que continua atenta às oportunidades de novos negócios em concessões, PPPs e mercado secundário no Brasil e exterior. Mas não comenta “boatos do mercado”.